Plantação Colheita

Avaliação da fertilidade do solo e sua importância para a produtividade

Na agricultura, a fertilidade do solo está diretamente ligada ao sucesso de uma lavoura, já que é responsável por fornecer os nutrientes essenciais para o desenvolvimento das plantas. Em muitos locais, como o Brasil, onde o solo é ácido, as taxas de fertilização natural são extremamente baixas, sendo necessário realizar modificações em sua estrutura para garantir qualidade e alta produtividade nas plantações.

Como o solo é um organismo vivo, com características químicas, físicas e biológicas próprias, nem sempre as condições são favoráveis para que as culturas cresçam de maneira saudável. Para se ter uma ideia, presume-se que cerca de 70% dos solos cultivados no Brasil apresentam uma ou mais limitações em relação à fertilidade.

Nesse sentido, as práticas de fertilidade do solo visam suprir as necessidades de nutrientes que as diferentes culturas necessitam para o bom desenvolvimento. Mas antes de tudo, é fundamental realizar uma avaliação completa sobre as condições do solo. Entenda melhor!

Como é feita a avaliação de fertilidade do solo?

 

A avaliação de capacidade de fertilidade do solo é o primeiro passo para garantir uma colheita com alta produtividade e com plantas saudáveis. A fertilidade é analisada por um método de amostragem, que irá fornecer informações sobre as características particulares daquele solo. Com isso, é possível colocar em prática ações de correção, adubagem e calagem.

Conheça os passos para realizar a análise de fertilidade do solo.

1 -Subdivisão da propriedade em glebas homogêneas

Antes de coletar as amostras, a área deve ser subdividida em glebas homogêneas, com área máxima de cerca de 10 hectares. Deve-se levar em consideração os seguintes aspectos: posição no relevo, cor do solo, textura do solo, histórico de uso e manejo (culturas anteriores, calagens, adubações, etc.), drenagem da área e presença de erosão.

2 – Coleta das amostras de solo

Nas glebas homogêneas, é necessário coletar pelo menos 20 subamostras em pontos diferentes. O ideal é caminhar em zigue-zague para coletar amostras representativas de toda a área. Em seguida, armazena-se cerca de 300g de solo em recipiente limpo, que será encaminhado ao laboratório para análise. Ainda alocar a amostra em recipiente devidamente identificado com os dados da propriedade e amostragem.

Deve-se evitar a coleta das amostras em locais próximos a brejos, sulcos de erosão, caminhos de pedestres ou animais, formigueiros, currais, estrume de animais e depósitos de calcário, além de jamais acondicionar as amostras em embalagens usadas ou sujas.

3 – Profundidade de amostragem

A profundidade de amostragem varia conforme o tipo de cultura e sistema de cultivo. Em geral, para a maioria das culturas anuais a profundidade de coleta deve ser de 0-20 cm, enquanto para as culturas perenes de 0-20, 20-40 e 40-60 cm, variando conforme o passar dos anos.

As coletas nas profundidades de 20-40 e 40-60 cm permitem detectar barreiras químicas ou físicas que comprometem o crescimento radicular, impedindo a absorção de água e nutrientes. Para o sistema de plantio direto, onde a adubação é em superfície, a amostragem deve ser feita nas profundidades de 0-10 e 10-20 cm.

4 – Ferramentas para a amostragem

A coleta das amostras pode ser realizada com diversos amostradores: trado de rosca, trado holandês, trado caneca, sonda, pás, etc. Contudo, deve-se atentar para a adequada limpeza tanto do amostrador como do recipiente utilizado para a mistura das subamostras quando for mudar de gleba.

5 – Época e frequência de amostragem

A época ideal realizarmos a amostragem de solo é cerca de 3 a 4 meses antes do plantio, e para as culturas perenes, logo após a colheita. A frequência de amostragem na mesma gleba se considera como ideal de no máximo é variável, devendo ser repetida em intervalos que podem variar de 1 a 4 anos e com amostragens anuais em glebas cultivadas intensivamente e com altas produtividades.

Análise do solo X Produtividade

 

A análise do solo e a produtividade estão diretamente relacionadas. Claro que o desenvolvimento saudável da planta não depende exclusivamente do solo, mas as boas taxas de fertilidade são responsáveis por cerca de 50% dos ganhos de produtividade das culturas.

Isso é possível já que a análise do solo permite criar um plano completo de gestão de nutrientes para a safra. E quando a planta absorve todos os micronutrientes e macronutrientes essenciais para o seu desenvolvimento, o resultado pode ser observado no aumento da produtividade da lavoura.

Em suma, os métodos de correção de fertilidade do solo, por meio da análise do solo, permitem cultivos de alta produtividade e melhor aproveitamento dos recursos investidos, além da preservação dos ecossistemas, já que a necessidade de terras para produzir será menor.

 

Apesar de ser extremamente importante para a lavoura, a análise do solo ainda é desprezada por muitos agricultores e até mesmo por técnicos agrícolas, sobretudo a análise química, um dos métodos de avaliação mais utilizados em países desenvolvidos. Lembre-se que a fertilidade do solo está entre os principais fatores que resultam no sucesso ou fracasso de uma colheita, impactando diretamente na lucratividade de uma safra.



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